Pizza Caseira – Parte I

Pizza. Acho que de todas as coisas triviais, corriqueiras que um paulistano (ou 87,9% paulistano, com queira) terá comido em sua vida, especialmente nos seus anos de formação (aproveitando a páscoa, vamos considerar que a idade de formação vai até os 33 anos, assim como a do falecido/ressurreto), a pizza deve, pelo menos para grande parte deles, figurar como a iguaria sublime, felicidade do fim-de-semana, salvadora nas horas difíceis, abridora de portas para um mundo de sabores desconhecidos (ainda que vinculados a embutidos e legumes estranhos).

A vida, como, acredito, concordariam todos os autores da vasta e heterogênea literatura autoaperfeiçoante que existe por aí, é cheia de escolhas. Quando fiz minha escolha de abandonar a colossal urbe para me fixar na mais prosaica, porém exuberante cidade do horizonte bonito, das coisas que deixei para trás, além dos amigos, claro (é preciso ser político), está a pizza. Não que não as haja aqui pelas vias da Alterosa. No entanto, não as há igual; é impossível não fazer justiça. Ainda assim, já procurei e tenho encontrado algumas honestas, que me podem matar a saudade de vez em quando.

E, no entanto, como tenho lá minhas críticas às pizzas mineiras, com todo o respeito aos meus concidadãos de hodiernos, percebi que deveria fazer eu mesmo uma tentativa, ainda que sabidamente aquém da iguaria de outrora, de produzir minha própria pizza, com ingredientes por mim selecionados e, principalmente, em combinações que fizessem mais sentido ao meu paladar tropical de altitude.

A inspiração de fato não veio das Musas, mas sim da Pri, que um dia desses, em Mariana, fez pizzas caseiras com as amigas, daquelas massas que se compram no supermercado. E disse que ficaram muito boas. Ela pensou: Por que não tentar fazer uma massa dessas em casa? Sabemos fazer pães e tantas outras coisas; não pode ser tão difícil. E assim, fizemos nossa primeira tentativa, que eu chamo de Parte I, porque testaremos outras receitas e aqui compartilharemos convosco nossos resultados e elegeremos aquela que for a mais saborosa como a nossa eleita Pizza Caseira.

A primeira tentativa, então, como eu ia dizendo, foi a mais objetiva. A receita é a da máquina de pão. Super simples e fácil, uma vez que você só tem o trabalho de colocar os ingredientes na máquina, esperar 2 horas, abrir a massa com a mão mesmo e colocar os ingredientes. O resultado foi muito bom. Ainda lembra as massas de supermercado, mas como era de se esperar, feita em casa, é mais gostosa. Vejam a receita:

– 1/2 xícara de água
– 1 colher de sopa de azeite de oliva (não extravirgem; fica mais saboroso)
– 1 1/2 xícara de farinha de trigo
– 1/2 colher de sopa de gérmen de trigo (dá uma aparência rústica)
– 1/2 + 1/4 de colher de chá de fermento biológico seco

(Obs: Isso dá uma massa de cerca de 300 g, que é meia receita e suficiente para 1 pizza grande.)

Usa-se o ciclo massas, e depois deve-se abrir a massa e deixá-la descansar por 10 minutos antes de começar a por o recheio. O forno deve estar sendo preaquecido enquanto você faz isso, bem quente. Mas coloque a pizza depois em prateleira alta (estou avisando agora porque depois não dá mais tempo de arrumar a prateleira).

Quanto ao recheio, colocamos um molho de tomate bem gostoso (al’arrabiatta), daqueles que você compra pronto, uma camada de uns 300 g de muçarela (curiosa essa grafia, não?) e fizemos meia aliche (ou até putanesca mineira), com queijo canastraenchovas, tomatinhos uva partidos ao meio, finíssimas fatias de pimentão vermelho e azeitonas pretas, e meia abobrinha (ou zucchini para os frescos), com provolone, abobrinhas cortadas em fatias também finíssimas (a faca cerâmica é sensacional) e rodelas de cebola.

Foram 25 minutos de forno e depois o deleite. Ficamos muito satisfeitos e emocionados com esse primeiro resultado. Obviamente, será sempre uma sombra do que é capaz um forno a lenha e as mãos de um pizzaiolo paulistano-cearense (que também, aliás, são os melhores sushimen; eles são muito bons em tudo ligado à culinária, inclusive a nordestina, que em São Paulo é fora de série), mas prosseguiremos tentando aprimorá-la. O próximo passo é tentar a receita da Nancy Baggett, lá dos pães sem sova da Pri. Aguardem notícias.

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4 comentários em “Pizza Caseira – Parte I

  1. Alguns adendos: a massa da pizza que a gente fez em Mariana era de uma padaria. Muito melhor que massa de supermercado. Porque a massa era excelente comecei a pensar que deveríamos tentar em casa. A próxima será uma massa do livro de pães sem sova. Estou apostando que será melhor que essa da máquina de pão.

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